segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Desenho cego e os hemisférios

Estava procurando alguma boa definição do que é desenho cego na internet para dar uma iluminada sobre o assunto e achei uma postagem no blog da Luisa (uma mocinha que era vj da Mtv não sei quando) que superou qualquer coisa que eu possa querer escrever sobre isso! Aqui está o trecho do texto explicando o POR QUÊ de se sujeitar a exercício tão tortuoso (para alguns racionalistas nada aventureiros):
"O cérebro, caso alguém não saiba, é dividido em dois hemisférios: o direito e o esquerdo. Cada um é responsável por um campo de ação. Muitas vezes os dois lados são usados ao mesmo tempo, mas geralmente um tem domínio sobre o outro, variando este domínio em relação à "tarefa" que está sendo desempenhada.

O hemisfério esquerdo cuida da parte direita do corpo e da compreensão lógica: o raciocínio, a matemática, o sentido das palavras, as convenções, o tempo, a dedução. O hemisfério direito cuida do lado esquerdo do corpo e se encarrega da parte menos concreta: intuições, melodias, sentido de unidade, pressentimentos, noção de realidade. Quando se ouve uma música, por exemplo, o hemisfério esquerdo compreende a letra, o ritmo, o estilo, classifica os instrumentos e a técnica utilizada. Enquanto isso, o direito se atém às sensações que a música causa, à melodia e à noção de unidade.

O hemisfério direito, ou seja, o intuitivo e menos concreto, foi por muito tempo subestimado e oprimido - tanto pela medicina, que o considerava supérfluo - quanto pela própria cultura ocidental: racional, concreta, prática, ambiciosa, estratégica… e doente. Estranho pensar que a cultura ocidental (lado esquerdo do planeta) tem tanta dificuldade para compreender as faculdades do lado direito do cérebro. O mundo adoece com a fragmentação das coisas, e a gente adoece junto. Ou será que a gente adoece primeiro, e o mundo depois? Não importa. Só podemos mexer em nós mesmos, certo? Então eis o desenho cego para exercitar, como um músculo, nosso lado direito atrofiadinho!

Primeiro, pegue um papel e uma caneta. Escolha um objeto, uma paisagem, ou uma pessoa para servir de modelo, alguma coisa que você queira desenhar. Mantenha os olhos no seu modelo e observe cada detalhe, deixando a caneta escorregar pelo papel e tentando reproduzir no desenho, o que você vê. Nunca olhe para o papel. Continue desenhando, observando a textura, os elementos que compõem a figura que você mira, e desenhe tudo, tudo mesmo. Não olhe para o papel.

Você vai perceber a "guerra" entre os dois hemisférios do seu cérebro. O esquerdo é quem tenta olhar o papel para ver se o desenho está "bom", "reto" ou "bem feito". Vai insistir para que você sabote a experiência para poder "julgar" o que está fazendo. Seja forte. Deixe o direito ganhar. O direito não sabe o que é bom ou ruim, ele não julga, só sente e abre um canal maravilhoso entre você e você mesmo. E o desenho fica legal pra caramba depois."
Não é legal?
Imagine então os resultados da nossa experiência.








Usamos nesse exercício réguas em um pote, uma planta e um tecido para sentir a diferença de desenhar cada coisa. Uma mais regular, angulosa e rígida; outra mais irregular, mas com certa lógica natural - raminhos e folhinhas que brotam de forma semelhante - e uma terceira coisa totalmente irregular, que "se espalha" e adquire uma forma diferente dependendo da superfície em que é colocada. É bem interessante de tentar.

Exercitem seus lindos hemisférios direitos tanto quanto possível, pessoal! 


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