segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Máscaras reveladoras

Estêncil ou stencil é uma técnica de aplicação de ilustração, letra, número ou qualquer outra forma que você puder imaginar atráves do vazamento de tinta (seja ela qual for) pelo corte em papel ou acetato. Onde será essa aplicação, você pode pensar em inúmeros locais: tecido, papel, tênis, madeira, geladeira, parede ou muro. Essa última opção (que não é de forma alguma a última das possibilidades) é muito comumente usada por grafitteiros, aqueles caras que mostram na rua mesmo o seu trabalho. É feito no mundo todo, mas temos exemplos (de muito peso) aqui no Brasil - que servem muito bem pra ilustrar o que é, pra quem ainda não entendeu:

Mini produção da dupla Alto*Contraste 
OZI e seu incrível-enorme São Jorge
Uma obra metalinguística do Daniel Melim

Essas são as máscaras, ou seja, o negativo do trampo, o papel cortado.
Abaixo, umas fotos de processos e resultados.

Alto*Contraste
Chã e Alto*Contraste de novo!
OZI, Luis Vitão

Você deve estar pensando "mas que raio stencil e grafitti tem a ver com histórias em quadrinhos?". Bem, basicamente fomos pensando em outras maneiras de ler quadrinhos e divulgar o resultado do processo de criação na oficina misturando linguagens. Mas isso é assunto para daqui uns dois posts, quando mostraremos os resultados desse processo final de criação coletiva! É realmente imperdível. :)

Nossos stencils foram feitos em uma única aula, então foi algo bastante simples - o pessoal nunca havia feito! - mas acharam que, além de divertido, o resultado foi bem satisfatório:





Aguardem os próximos episódios!

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Desenho cego e os hemisférios

Estava procurando alguma boa definição do que é desenho cego na internet para dar uma iluminada sobre o assunto e achei uma postagem no blog da Luisa (uma mocinha que era vj da Mtv não sei quando) que superou qualquer coisa que eu possa querer escrever sobre isso! Aqui está o trecho do texto explicando o POR QUÊ de se sujeitar a exercício tão tortuoso (para alguns racionalistas nada aventureiros):
"O cérebro, caso alguém não saiba, é dividido em dois hemisférios: o direito e o esquerdo. Cada um é responsável por um campo de ação. Muitas vezes os dois lados são usados ao mesmo tempo, mas geralmente um tem domínio sobre o outro, variando este domínio em relação à "tarefa" que está sendo desempenhada.

O hemisfério esquerdo cuida da parte direita do corpo e da compreensão lógica: o raciocínio, a matemática, o sentido das palavras, as convenções, o tempo, a dedução. O hemisfério direito cuida do lado esquerdo do corpo e se encarrega da parte menos concreta: intuições, melodias, sentido de unidade, pressentimentos, noção de realidade. Quando se ouve uma música, por exemplo, o hemisfério esquerdo compreende a letra, o ritmo, o estilo, classifica os instrumentos e a técnica utilizada. Enquanto isso, o direito se atém às sensações que a música causa, à melodia e à noção de unidade.

O hemisfério direito, ou seja, o intuitivo e menos concreto, foi por muito tempo subestimado e oprimido - tanto pela medicina, que o considerava supérfluo - quanto pela própria cultura ocidental: racional, concreta, prática, ambiciosa, estratégica… e doente. Estranho pensar que a cultura ocidental (lado esquerdo do planeta) tem tanta dificuldade para compreender as faculdades do lado direito do cérebro. O mundo adoece com a fragmentação das coisas, e a gente adoece junto. Ou será que a gente adoece primeiro, e o mundo depois? Não importa. Só podemos mexer em nós mesmos, certo? Então eis o desenho cego para exercitar, como um músculo, nosso lado direito atrofiadinho!

Primeiro, pegue um papel e uma caneta. Escolha um objeto, uma paisagem, ou uma pessoa para servir de modelo, alguma coisa que você queira desenhar. Mantenha os olhos no seu modelo e observe cada detalhe, deixando a caneta escorregar pelo papel e tentando reproduzir no desenho, o que você vê. Nunca olhe para o papel. Continue desenhando, observando a textura, os elementos que compõem a figura que você mira, e desenhe tudo, tudo mesmo. Não olhe para o papel.

Você vai perceber a "guerra" entre os dois hemisférios do seu cérebro. O esquerdo é quem tenta olhar o papel para ver se o desenho está "bom", "reto" ou "bem feito". Vai insistir para que você sabote a experiência para poder "julgar" o que está fazendo. Seja forte. Deixe o direito ganhar. O direito não sabe o que é bom ou ruim, ele não julga, só sente e abre um canal maravilhoso entre você e você mesmo. E o desenho fica legal pra caramba depois."
Não é legal?
Imagine então os resultados da nossa experiência.








Usamos nesse exercício réguas em um pote, uma planta e um tecido para sentir a diferença de desenhar cada coisa. Uma mais regular, angulosa e rígida; outra mais irregular, mas com certa lógica natural - raminhos e folhinhas que brotam de forma semelhante - e uma terceira coisa totalmente irregular, que "se espalha" e adquire uma forma diferente dependendo da superfície em que é colocada. É bem interessante de tentar.

Exercitem seus lindos hemisférios direitos tanto quanto possível, pessoal! 


domingo, 14 de agosto de 2011

Caras e bocas

alice, uma personagem
Como é clássico, principalmente em oficinas de HQ, criamos personagens e brincamos um pouco com as expressões deles. Alguns desenhos acabaram sumindo no meio das pastas - minhas e dos alunos - mas temos exemplos aqui que demonstram como foi o processo. Um amigo, quando soube que eu estava encucada com conteúdo da oficina de HQ que ia iniciar, me passou essas páginas de "como fazer quadrinhos" do Eisner. Não sei exatamente em que livro ele publicou, só sei que é extremamente prático e didático, e usar como referência é sempre muitíssimo útil!





Não nos demoramos muito nesse aspecto - inclusive é interessante explorar mais a capacidade de reprodução do mesmo personagem em situações diferentes, porque quadrinhos também pode ser a passagem de tempo na vida do personagem, e isso requer de quem desenha a habilidade de levar nas mãos a personalidade e identidade da própria criação. Taí uma coisa que vocês ainda podem tentar!






segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Coisas novas a partir de coisas velhas

tirem as crianças da sala!
Certa vez, em aula, falamos de colagem como forma de expressar alguma ideia sem necessariamente desenhar. Agrupar imagens de revistas, livros ou até mesmo elementos gráficos para dar certo efeito visual e passar uma ideia. Uma coisa um pouco situacionista, se você analisar alguns exemplos.

Também chamado de collage, era um dos subterfúgios de caras como Max Ernst, que tiverem seu trabalho exposto no MASP ano passado - ele fazia colagem com gravuras. Enfim, essa era a parte do como. Agora vem o porquê.

remix visual
Assitimos a um vídeo do Mundo S/A sobre a Maurício de Sousa Produções - sobre como uma indústria de quadrinhos (¿) milionária como essa administra seus roteiristas, desenhistas, distribuição global de revistas e, ufa, ainda assim, suas marcas de fraldas descartáveis e lencinhos umedecidos. Paralelamente, lemos um texto do Bill Waterson, criador do Calvin, contando sua luta com a Universal, que queria porque queria criar uma marca com a cara do Calvin e Haroldo para obter lucros astronômicos, coisa que Watterson se recusou até o último minuto a deixar acontecer - e, inclusive, desistiu de continuar com a produção das tirinhas por conta da pressão vampírica da empresa.


tirinha magoada com os grandes empresários

Partindo disso, fizemos um exercício de HQ com colagem. O que saiu disso é bem variado, cada um recebeu e retransmitiu de uma forma o que viu. Em geral, os resultados são bem engraçados!







Para finalizar com chave de ouro a postagem, um ótimo exemplo de maestria com colagem, de Terry Gilliam - e em animação! -, na abertura do Flying Circus, do Monty Python.